Cacos de vidros preocupam os pés.
Espinhos de bougainville na divisa dos muros.
Pardais destruindo ninhos nos quintais da rua paralela.
A gasolina da motocicleta falha.
Subindo a Rua do Ouro o vento é forte.
O elevador me espera
Aperto o número do andar
Subo pensando,
Uma minhoca mora no vazo de violetas que te dei.
Toco campainha...
Sou recepcionado por um passarinho cantando!
Logo em seguida, você com cheiro de giz,
Me olha com os olhos claros irritados de sabão.
Entro numa sala transparente
Assento cruzando as pernas
Você veste um macacão jeans
Sinto um cheiro de limpeza
Que sai do seu corpo!
Levanto em direção a janela olhando a serra
O cheiro de limpeza está cada vez mais próximo.
Sou abraçado por trás
Viro e fico colado em sua boca, não tenho saída.
Encosto minha língua na sua que tem cheiro de avelãs!
Tudo isso na Rua Santa Helena.
Numa sala transparente.
Perto do vazo de violetas que te dei
Onde vive uma minhoca.
Seus olhos ainda continuam irritados de sabão
Só que agora, fechados.