terça-feira, 9 de dezembro de 2014

João Biscoito Duro

Preocupado com política
Copa do mundo
Seca da cerveja
Cometa halley
Risoleta Neves
Aecinho Neves
Que não tem o futuro garantido.
Com a música brasileira
Com a péssima qualidade do fubá
Com o sonho do mudinho seu amigo
Com o cinema de breque
Com a TV do Silvio Santos
Com a orquestra sinfônica
E uma grande importância

Às formigas do Jardim...

Zé Nuvem de Algodão

Ama a terra
O Vento
O rio
O sol
E o Tempo
O frio também!

Ouve Beatles
Não esquece de
Winston Lennon
E adora Luis Gonzaga!

Tem muita disciplina
Não tem inimigos
É um homem normal

Que não faz nada...

Ainda Um Dia, o Farol da Consciência Vai Revelar Seu Rosto Cheio de Espinhas

O farol da consciência
Deixou de clarear os seus dias.
Enquanto a inocência primordial
Voa com os passarinhos 
Perto de minha casa.
O sumo dos seus dias, estão contados
Enquanto isso,
A tartaruga me acalma.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

BICHO DE PÉ

Beber muito, muito
Chorar muito, muito
Amar muito, muito
Escrever com intensidade
Bajular as letras
Viver o fôlego da manhã
Viver, alimentar o corpo
Beber, Chorar, amar
E viver o fôlego da noite.

E na posição clássica
Coçar o bicho de pé.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

DA ESPANHA NADA QUERO, AO NORTE DO MEU PEITO UMA ESPANHOLA

        Da Espanha nada quero
         Prefiro a dança espanhola
         Atento ao canto da fauna
         Conforme meu timbre menino
         Feito águias voando
         Pelos montes cantábricos.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro o canto dos touros
         Enquanto eu bebo nas praças
         Enquanto houver castanholas
         Nas mãos Lorenas
         Bonitas meninas.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro os peixes do Guadalquivir
         E se alguém já nadou
         No Tejo, no Douro ou no Guadiana
         Sem se afogar, não grite
         Apenas sustente a voz do fôlego.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro a flora espanhola
         Dos carvalhos, castanheiros
         Bétulas, faias e freixos
         Que dão sombra para as formigas
         Enquanto eu durmo de olhos Cervantes.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro a rua de Alcalá.
         Agora Tirso de Molina
         Me conta versos fascinantes
         Sobre Don Juan
         “El burlador de Sevilla”.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro ver Madrid
         Presenteando o coração
         Dos homens.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

SOMOS TUDO


Somos mito
Somos utopia
Luz passada
Luz futura
Nem brilhante
Nem fosco.

Somos assim
Sem coragem
Beijos invertidos
Lamparina fraca
Somos vinheta
Segundos solitários
Viagem oposta
Casa sem chão
Ruas vazias
Somos assim.

Agora
Quando quiser me visitar
Vou encher o teto de minha casa
De nuvens e luas, são suas
Aceite somente...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Primeiro Estágio do Rompimento

É verdade que os Anjos envelhecem feito nós?
Ou será, que o meu grito é fraco,
Pra eles ouvirem eu te chamando?
Chamando...chamando...chamando...
Remando...remando...remando...
Num rio de lágrimas doces
Que descem da minha cama?


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

UM POEMA PARTICULAR DE SÃO GOTARDO (ALTO PARANAÍBA)

Toda mulher quer um poeta debaixo do mesmo teto
Pra fazer doce de limão.
Mas essa mulher tem que entender as letras
E não deixar o tempo passar.

Toda mulher ao acordar
Gostaria que nas paredes de sua casa
Tivessem poemas que só ela iria ler,
Seria publicado apenas em seu coração.

A cada manhã
Os poemas seriam trocados
Pelos o que foram escritos na noite anterior,
Mesmo ele estando com febre.

Toda mulher que sabe entender as letras
Corrige as falhas do seu par.
O poeta beija o som do sonho desta mulher.
Aprende a ser feliz e nunca cansa da criação.

Toda mulher quer um poeta rico
Que ele tenha no bolso esquerdo
Toneladas de sonhos e diamantes,
E no bolso direito
Curvas de rios serpenteando os seios!

Toda mulher quer voar
Com o seu poeta particular
Embora ela tenha asas
Ainda não descobriu
O tamanho do céu!

NÃO FAZ SENTIDO NADAR RIO ACIMA


Seus cabelos
Vão descobrir em breve
Que você anda sorrindo sozinha
Pelas ruas com raiva de mim.

O mundo é um palco de ruas
E você continua andando sozinha
Sorrindo com bastante raiva de mim.

Nem tive chance de falar
Eu só queria conhecer os seus cabelos!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Bilheteria

Por um bom tempo
Guardei dinheiro
Pra te assistir.
Eis você atuando
Na última fila estou
Olhando, aplaudindo
Rindo dos presságios.

Quando a cortina do palco cair
Enrole sua decadência.
Eu seria por justa causa
O seu melhor dramaturgo
E você a melhor atriz!

Aplausos finais
Acenos totais
Sucesso de bilheteria
Meses a fio
Fim de temporada.

Agora o camarim está escuro
As cadeiras desocupadas.

Volto pra casa de bolsos vazios
Mas feliz por te ver atuar
Recentemente.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Minha Futura Amiga Distante

Se ninguém disse que você é linda
Aguardo a minha vez por dizer
Se ninguém pensou em você,
Espero a minha vez por pensar.
Vou deixar um recado escrito a giz
No muro perto de sua casa
Pense nisso...

Fico imaginando o cheiro de sua boca
Deve ser mais puro que as águas da via láctea!

Agora
Se ninguém gostou de você
Sorte minha
Ainda há tempo
Se você perceber.
Em cada esquina da cidade, 
Tem alguém que nos merece.
Escolhemos e somos escolhidos
Ou escolhemos e não somos escolhidos, 
Faz parte do jogo.

Mas que o sol fica tímido
Quando você acorda
E abre os olhos para o mundo,
Ah sim, isso fica.

Houve distúrbios
Ventanias
Houve princípios de raiva
De repulsa.
Não era para ser assim
Não tenha medo
Pois nem o medo
Sente medo de nós.

Atravesse a rua
Estou com um diamante
Lapidado no bolso pra te dar.
Garimpei debaixo de seu travesseiro
Onde você dorme
E ainda não sabe se está sonhando o sonho certo.

Amizade é Oxigênio

Pelas cozinhas do meu universo
Se você quisesse ser minha amiga
Eu faria omeletes de espinafre
Com ovos de fênix.

Pelas cozinhas do seu universo
Gostaria de ser seu amigo,
E oferecer pelas manhãs
Chá de orvalhos
Com óleos essenciais do céu!

Aceite
Se permita, sou do bem, sou do Amém!
Entenda
Posso até tirar leite das abelhas, se você gostar.

Posso também conversar com suas artérias
Sentir o fluxo de seu sangue
Até chegar a sua bomba perfeita e natural
Chamado coração.
Amizade são vontades, oxigênio e respeito.

Peço desculpas medievais
Penso que não tenho o direito
De chegar até você escrevendo tantas bobagens assim.

Sou bobo feito um nó.
Mas sou um colecionador de minutos saudáveis.
Nada mais,
Durmo, acordo e vivo o meu tempo
E respeito todas as pessoas.

Pensando bem, nada disso importa
Rasgue, amasse ou faça picadinho destas letras
O vento se encarregará do resto,
Ele também gostaria de ser seu amigo!
Peço licença ao Neruda
"Há algo mais tolo na vida que chamar-se Adélio do Tempo?"
Pedimos desculpas, o araçá, eu e o vento.
Agora se quiser xingar, esteja a vontade,
Prefiro assim, mas não fique com raiva.

               Meu endereço é o universo
Estou longe e ao mesmo tempo perto.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Minutos Voláteis


Com os dias rolando
Encontrei pelo caminho, formigas e jardins
Plantei araçá, pimentas e dálias!
Andei de bicicleta
Deixei de fazer a barba por uma semana.
Numa tarde de preguiça
Acordei assustado, estava chovendo e a janela estava aberta.
Ao fechar, olhei em frente:
Avistei uma moça:
Bonita, magra, alta e parecia ser brava.
Parecia sim...
Ela andava muito rápido, de um lado para o outro.
Alias, não dava pra ver ser era bonita.
Fiquei parado por alguns instantes.
Fechei a janela e voltei a ter preguiça,
Deitei, dormi, e sonhei com a Linda McCartney.
Ela me contava que Paul é muito simples, e que chorou muito, quando assassinaram o John. Eu sonhava.
Acordei, olhei para o teto e respirei fundo. A chuva tinha parado, abri a janela e vi a moça que eu pensava que era bonita, andando só de calcinha. Fiquei estático, meus olhos querendo despir a moça que eu pensava que era bonita, mas a essa altura dos acontecimentos, já tinha certeza de que era mesmo linda! Ela acendia a luz, apagava, voltava, andava no escuro e eu com a respiração acelerada. Já era tarde e tudo ficou escuro e ela nesta noite não mais apareceu. Volúpias a parte. Tomei uma taça de vinho, comigo estava Bertolt Brecht, mais tarde chegou a Lispector, falamos de limão e poesia, de estradas e nuvens, de músicas e queijos!
Quando percebemos o dia estava clareando e eles foram pra suas casas. Não deu tempo de descrever as premonições que eu sentia.
Nesta noite pensamos escrever a três mãos, uma peça teatral com o título de: 
“Pipoca, Quentão e Quadrilha de Ladrão”
Brecht com a sua genialidade em dramaturgia, gostou muito do tema. Já a Lispector viajou longamente no que poderia ser as primeiras tomadas do texto. Eu que encorajei o tema, fiquei animado com a recepção dos dois! 
Mas não passou desse encontro.
Na verdade eu agora só quero o lado bom das pessoas.
De ruim já basta o meu.
Os melhores momentos são retratados, nos minutos voláteis em que vivemos.
Nunca estive no lugar certo, na hora certa e isso tem sido o melhor até aqui!


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Tratado da Enxada (Florestal-MG)



Planto pepitas

Uso a enxada pra cultivar,

Sem querer corto uma cobra
Debaixo do capim.
Nem era minha vontade.
Planto pimentas
É o que sei fazer...
Escuto o vento
Sinto o Vento
É o que sei fazer...
Tenho calos nas mãos
Mas é o que sei fazer
Planto flores
Elas cheiram bem
E gostam de nós dois.
Braços descansados
Volto a cultivar.
O suor salgado
Ardem meus olhos,
Enxugo com a manga da camisa.
Isso me faz bem!
É o que sei fazer...
Além de lembrar de você!


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

GELO

 

No dia de seu aniversário, 
Vou te convidar para tomar algumas doses de whisky! 

As pedras de gelo serão com lágrimas de fenix!