sexta-feira, 4 de abril de 2014

Minutos Voláteis


Com os dias rolando
Encontrei pelo caminho, formigas e jardins
Plantei araçá, pimentas e dálias!
Andei de bicicleta
Deixei de fazer a barba por uma semana.
Numa tarde de preguiça
Acordei assustado, estava chovendo e a janela estava aberta.
Ao fechar, olhei em frente:
Avistei uma moça:
Bonita, magra, alta e parecia ser brava.
Parecia sim...
Ela andava muito rápido, de um lado para o outro.
Alias, não dava pra ver ser era bonita.
Fiquei parado por alguns instantes.
Fechei a janela e voltei a ter preguiça,
Deitei, dormi, e sonhei com a Linda McCartney.
Ela me contava que Paul é muito simples, e que chorou muito, quando assassinaram o John. Eu sonhava.
Acordei, olhei para o teto e respirei fundo. A chuva tinha parado, abri a janela e vi a moça que eu pensava que era bonita, andando só de calcinha. Fiquei estático, meus olhos querendo despir a moça que eu pensava que era bonita, mas a essa altura dos acontecimentos, já tinha certeza de que era mesmo linda! Ela acendia a luz, apagava, voltava, andava no escuro e eu com a respiração acelerada. Já era tarde e tudo ficou escuro e ela nesta noite não mais apareceu. Volúpias a parte. Tomei uma taça de vinho, comigo estava Bertolt Brecht, mais tarde chegou a Lispector, falamos de limão e poesia, de estradas e nuvens, de músicas e queijos!
Quando percebemos o dia estava clareando e eles foram pra suas casas. Não deu tempo de descrever as premonições que eu sentia.
Nesta noite pensamos escrever a três mãos, uma peça teatral com o título de: 
“Pipoca, Quentão e Quadrilha de Ladrão”
Brecht com a sua genialidade em dramaturgia, gostou muito do tema. Já a Lispector viajou longamente no que poderia ser as primeiras tomadas do texto. Eu que encorajei o tema, fiquei animado com a recepção dos dois! 
Mas não passou desse encontro.
Na verdade eu agora só quero o lado bom das pessoas.
De ruim já basta o meu.
Os melhores momentos são retratados, nos minutos voláteis em que vivemos.
Nunca estive no lugar certo, na hora certa e isso tem sido o melhor até aqui!


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Tratado da Enxada (Florestal-MG)



Planto pepitas

Uso a enxada pra cultivar,

Sem querer corto uma cobra
Debaixo do capim.
Nem era minha vontade.
Planto pimentas
É o que sei fazer...
Escuto o vento
Sinto o Vento
É o que sei fazer...
Tenho calos nas mãos
Mas é o que sei fazer
Planto flores
Elas cheiram bem
E gostam de nós dois.
Braços descansados
Volto a cultivar.
O suor salgado
Ardem meus olhos,
Enxugo com a manga da camisa.
Isso me faz bem!
É o que sei fazer...
Além de lembrar de você!