quarta-feira, 26 de novembro de 2014

BICHO DE PÉ

Beber muito, muito
Chorar muito, muito
Amar muito, muito
Escrever com intensidade
Bajular as letras
Viver o fôlego da manhã
Viver, alimentar o corpo
Beber, Chorar, amar
E viver o fôlego da noite.

E na posição clássica
Coçar o bicho de pé.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

DA ESPANHA NADA QUERO, AO NORTE DO MEU PEITO UMA ESPANHOLA

        Da Espanha nada quero
         Prefiro a dança espanhola
         Atento ao canto da fauna
         Conforme meu timbre menino
         Feito águias voando
         Pelos montes cantábricos.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro o canto dos touros
         Enquanto eu bebo nas praças
         Enquanto houver castanholas
         Nas mãos Lorenas
         Bonitas meninas.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro os peixes do Guadalquivir
         E se alguém já nadou
         No Tejo, no Douro ou no Guadiana
         Sem se afogar, não grite
         Apenas sustente a voz do fôlego.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro a flora espanhola
         Dos carvalhos, castanheiros
         Bétulas, faias e freixos
         Que dão sombra para as formigas
         Enquanto eu durmo de olhos Cervantes.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro a rua de Alcalá.
         Agora Tirso de Molina
         Me conta versos fascinantes
         Sobre Don Juan
         “El burlador de Sevilla”.

         Da Espanha nada quero
         Prefiro ver Madrid
         Presenteando o coração
         Dos homens.