Pelas portas fechadas
Você não entrou pra me ver.
Pelo ventre dos versos
O aroma das madrugadas.
Pela Rua Goiás
Onde me embriaguei
Com os maiores poetas
Desta pequena cidade.
Pelas grutas do tempo
Onde me fiz bem claro.
Pelas portas dos bares
Onde cansei minhas pernas
Observando as mulheres.
Pelos os copos suados
Onde gastei meus dedos
Esperando acontecer
Atrás dos edifícios
A alvorada.
Pelas manhãs de domingo
Pra você que não pertence
Mais a este mundo.
Pelos cães vira latas poetas
Que jogam o lixo no chão
E você fazendo versos nobres?
Pelo toco de cigarro
Que tragou a Souza Cruz.
Pelos banheiros encardidos
De urinas bêbadas.
Pelos poetas que só voltam pra casa
Com o dia amanhecendo.
Pelo bocejo dos becos escuros da Rua Guaicurus.
Pelos tempos sombrios
Onde os gatos se arranham
Nos telhados do prazer.
Pelo canto dos homens
Um coral de vozes tristes.
Pelas madrugadas do perigo
Onde nas ruas assassinam
Com um sobrenome “ASSALTO”
Para o engraxate BORORÓ!