quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Rua Santa Helena, Nº 19 Beijos



Cacos de vidros preocupam os pés.
Espinhos de bougainville na divisa dos muros.
Pardais destruindo ninhos nos quintais da rua paralela.
A gasolina da motocicleta falha.
Subindo a Rua do Ouro o vento é forte.
O elevador me espera
Aperto o número do andar
Subo pensando,
Uma minhoca mora no vazo de violetas que te dei.
Toco campainha...
Sou recepcionado por um passarinho cantando!
Logo em seguida, você com cheiro de giz,
Me olha com os olhos claros irritados de sabão.

Entro numa sala transparente
Assento cruzando as pernas
Você veste um macacão jeans
Sinto um cheiro de limpeza
Que sai do seu corpo!

Levanto em direção a janela olhando a serra
O cheiro de limpeza está cada vez mais próximo.
Sou abraçado por trás
Viro e fico colado em sua boca, não tenho saída.
Encosto minha língua na sua que tem cheiro de avelãs!

Tudo isso na Rua Santa Helena.
Numa sala transparente.
Perto do vazo de violetas que te dei
Onde vive uma minhoca.

Seus olhos ainda continuam irritados de sabão
Só que agora, fechados.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

3 Luas (Tratado da Claridade)






Na cidade de Igarapé
No teto de minha casa
Toda noite elas aparecem
De uma só vez
Trazendo claridade e saudade!

Lorena é crescente!
Laura é cheia!
Stella é nova!
Eu sou minguante.

Sinto todas as fases num dia só.

Ainda bem que Adélia Prado
De mãos dadas imaginárias
Conforta o Adélio do Tempo.
Apenas a claridade é verdade.
25/10/07

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Deuses do Olimpo

Hoje consegui falar com ELES!
Me ouviram e foram divinos!
Aceitaram o meu pedido
Pra que você nunca deixasse de sonhar!
Pedi também que tivesse
Paciência com minha ignorada insistência.
Por fim pedi desculpas
Fui desculpado
Não sei se perdoado
ELES entenderam
E vão te dizer:
“Ele é apenas um homem chamado Zé
Que anda rápido
Enxerga como um lince
Mesmo usando um “glass onion”.
Sempre banha em águas claras!
Conversa com os passarinhos dos vizinhos - presos
Lambe o vento - solto
Aproxima as pessoas - sempre
Sente saudades de seu amor maior: sua Mãe!
Saudade eterna de seu Pai, não era Zé, mas Adélio Assis Coelho!
É uma pessoa comum.
Percebemos e sentimos
Que ele enxerga o furo que existe na lona do circo.
Nunca deixará de ser amigo dos palhaços tristes.
Pelo furo da lona do circo olhando para o céu ele te descobriu.
Entendemos que você também o descobriu
Olhando pelo furo da lona do mesmo circo.
Vocês são vidas atreladas e estreladas! São a mesma luz!
Vemos vocês dois colhendo manjericão num dia próximo.
Momentos plurais que avistamos daqui de cima.
Estamos te dizendo:
Ele é apenas um homem chamado Zé.
Zé do tempo, do vento, da terra, do mundo, da via-láctea
Bobo feito ele só.
Vamos deixar clarear: ele é apenas um homem de boa vontade.
Ao final de nossa conversa,
Pediu pra te enviarmos estrelas cadentes
Riscando o céu dizendo:
Um oizinho, um beijinho no cantinho do quarto de seus lábios!
Logo em seguida sairá correndo
Senão você poderá ficar brava, brava, brava...
Ele não quer que isso aconteça.
Guarde esta na gaveta do peito.
Breve vai te convidar pra ver seus canteiros de manjericão
Que ele planta na cidade de Igarapé.
Daqui de cima sentimos o cheiro, pode ir, deve ir.
Porque somos Deuses do Olimpo, não há perigo, nem há cobras,
Se permitam
Se contentem
Se colham!
Vão se encontrar no lançamento de seu livro
(Editora Olimpo - Sem data prevista, Mas não deve tardar)
Primeira Redenção
Suspiro do Agora...Hum!
(Tratado do Estado Real da Amplitude)
Poemas e Canções

Inspirados em você
Não se assuste.
Somos invisíveis, divisíveis e multiplicamos o bem!
Guarde esta na gaveta do meio, da mesa central na Fazenda Laranjal
Perto dos pães de queijo feitos nesta manhã!
Ao final de nossa comunhão
Se permitam
Se contentem
Se explorem!
Finalmente avisamos isso não é paixão
Apenas aproximação química
Literária, verbal e visual
Assinamos a verdade.
Enviamos beijos das nuvens!
O Zé continua vivendo na terra
Banhando os pés nos igarapés.
Ele acha que abriu o coração demais
E está até um pouco envergonhado.
Agora vai dar risadas,
Debruçado na janela
Olhando para o céu através da lona do circo que ele te conheceu!
E Nós,
Deuses do Olimpo estamos indo, já é tarde, já é noite e faz frio ”
Fechando contato.

21/08/07

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Da Espanha Nada Quero, Ao Norte Do Meu Peito Uma Espanhola - 1982

Da Espanha nada quero
Prefiro a dança da espanhola
Atento ao canto da fauna
Conforme meu timbre menino
Feito aguias voando
Pelos montes cantábricos.

Da Espanha nada quero
Prefiro o canto dos touros
Enquanto eu bebo nas praças
Enquanto houver castanholas
Nas mãos Lorenas
Bonitas meninas.

Da Espanha nada quero
Prefiro os peixes do Guadalquivir
E se alguém já nadou
No Tejo, no Douro ou no Guadiana
Sem se afogar, não grite
Apenas sustente a voz do fôlego.

Da Espanha nada quero
Prefiro a flora espanhola
Dos carvalhos, castanheiros
Bétulas, faias e freixos
Que dão sombra para as formigas
Enquanto eu durmo de olhos Cervantes.

Da Espanha nada quero
Prefiro a rua de Alcalá
Agora Tirso de Molina
Me conta versos fascinantes
Sobre Don Juan
“El burlador de Sevilla”.

Da Espanha nada quero
Prefiro ver Madrid
Presenteando o coração
Dos homens.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Espelho Quebrado

Atrás da porta do banheiro
Pendurado
Quase caindo.
Um objeto que sempre te via
Tomando banhos!

Um vento forte
Soprou a porta
Caiu e estilhaçou.

Tentei juntar os cacos
Pra formar sua imagem.
Impossível.

Mas te imagino
Linda e nua
Nos pedacinhos do espelho!

É o que me resta.
29/08/07

Amplitude

Não sei voar
Nado mal
Mergulho bem
E respiro nozes!

Olhe em frente
Estou do outro lado da rua
Atravesse
Estou te esperando
Com uma taça de vinho espanhol.

Vou viajar
Quero que venha comigo
Vamos ler juntos de Clarice Lispector
“Água Viva”
Antes que a água doce do planeta se acabe.



29/08/07

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Meu Segredo, Seu Tormento


É fácil
Simples
E ornamental!

Te amo
Debaixo
Da terra!

Leve Flores
Ervas aromáticas
E coentros
Cultivadas
Na terra
De suas
Unhas!

Isso deverá me agradar
Ainda vivo!

Jantar dos Sonhos





Claro que vou
Faltar nunca
Atrasar Jamais.

Você me espera
Protegida e iluminada
Pelo clarão das velas!

Dentro das taças
Estão os planetas...
Nosso código de segredos!