terça-feira, 23 de março de 2010

ONTEM BRIGUEI COM O VENTO

Depois de levar adubo para o vaso de violeta de outono
Que lhe dei no último verão.
Depois de lavar a taça de vinho que tomamos juntos, risos nos olhos.
Depois que ela escorregou de minhas mãos, caiu, e estilhaçou cristais,
Confesso que fiquei sem graça.
Mesmo assim depois do beijo, mesmo assim depois do abraço
Fui pra minha casa levando o seu cheiro comigo.
Ao virar a esquina encontrei com o vento
Ele quis porque quis me tomar o seu cheiro
Protegi até onde pude
Foi preciso muita paciência
Ele ventando, insistia,
Não teve outra saída, brigamos
Até meus cabelos ficaram assustados
Eu quase sem fôlego disse pra ele:
Esse cheiro é só meu
Até o dia em que eu puder abraçar e beijar a Yoko Ono
E levar comigo pra debaixo do meu travesseiro
Um pedaço do seu bem!
21-03-2010

Um comentário:

Silas Velozo disse...

Adélio, cumpadre: legal demais essa briga com o vento pra guardar o perfume da amada! Original & tocante. E uma homenagem à Yoko Ono (que eu também gostaria de encontrar um dia no Central Park, em Nova Iorque e abraçar). Só um reparo: melhorar a pontuação do poema e manter letras minúsculas na continuação do mesmo verso em outra linha. Assim:
"Mesmo assim depois do beijo, mesmo assim depois do abraço,
fui pra minha casa levando o seu cheiro comigo." Por aí. Você tem doçura não-melosa nas mãos escribadoras, isso é raro e bom. Valeu! Silão, 1/marsu/2011.