terça-feira, 19 de março de 2013

O cheiro das Letras




As letras não cheiram
Mas posso descrever
Suas partículas odoríferas.

Salivas madrigais
São coisas pessoais.
Agora as invenções do vento
São atemporais.

Pelos quintais hereditários
Respiro punhais de hortênsias brancas.
O vento sopra essências de alfavacas!
Animadamente espero um beijo da saíra
Que acabou de polinizar a pitangueira.

Na mesa dois bolos de alecrim
Feitos nesta manhã.
Um pote de mel de jataís
Disputa com o sol
Quem é mais brilhante.

Eu continuo assentado numa cadeira de vime
Escutando os cheiros do meu quintal.
Ao lado uma cadeira vazia,
Provavelmente esteve assentado uma anjo madrigal!

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